O Sábado foi mudado para o domingo?
Marcelle, Douglas e Milce - Descanso para o Coração
Três contra-argumentos comuns usados contra o sábado são: A) O sábado foi mudado para o domingo. B) Para guardar o mandamento, basta guardar um dia em sete. C) Podemos guardar qualquer dia ou nenhum dia, sem que ninguém nos julgue por isto. Vejamos cada um deles.
Apenas 8 textos no Novo Testamento falam do domingo, chamando-o meramente de "o primeiro dia da semana". Cinco deles (Mat. 28:1; Mar.16:2 e 9, Luc. 24:1; João 20:1) apenas relatam que Jesus ressuscitou neste dia, sem falar de qualquer alteração no dia de guarda ou reunião religiosa no domingo. João 20:19 é o único nos evangelhos que fala de reunião "no primeiro dia", mas não foi para comemorar a ressurreição do Salvador: embora as mulheres tivessem contado a eles que viram o túmulo vazio e Jesus ressurreto, os apóstolos não creram e estavam "de portas trancadas, por medo dos judeus" quando Jesus apareceu. "Oito dias depois" (que pode ser o domingo ou a segunda-feira), Ele aparece novamente para convencer Tomé da ressurreição, não para celebrar o domingo — se for domingo — com os discípulos (João 20:24-27).
Se Jesus tivesse feito a alteração do sábado para o domingo, Ele próprio teria comunicado a mudança a Seus discípulos, e estes escreveriam a respeito nos evangelhos. Mas nada é encontrado. É curioso notar que um verso antes no evangelho de Lucas, escrito 40 anos depois da ressurreição, afirma que as mulheres "no sábado, descansaram, segundo o mandamento" (Lucas 23:56). O advogado e teólogo protestante DR. WILLIAM SMITH no seu célebre Dicionário da Bíblia, pág. 366, embora advogando a vigência do domingo, reconhece a escassez de provas e admite honestamente o seguinte em relação a esses textos:
"Tomadas separadamente, talvez, ou mesmo todas em conjunto, estas passagens se nos afiguram não muito adequadas para provar que a dedicação do primeiro dia da semana ao propósito acima mencionado [dia de repouso em honra da ressurreição] fosse matéria de instituição apostólica, ou mesmo uma prática dos apóstolos".
Atos 20:7 fala dos discípulos reunidos para partir o pão no primeiro dia. Como a contagem bíblica do dia começa ao fim da tarde, não à meia-noite (Gên. 1:5,8; Lev. 23:32; Mar. 15:42; Luc. 24:29), a reunião em Trôade aconteceu exatamente no sábado à noite, não no domingo. Além disso, o próprio verso mostra que esta não era uma reunião regular para santa ceia, mas convocada de forma extraordinária para reunir os crentes antes de Paulo partir de viagem. As reuniões religiosas mencionadas no livro de Atos são efetuadas no sábado — congregando judeus e gentios — na sinagoga (13:14, 42-44;18:1-4) ou ao ar livre (17:1-3).
1 Cor. 16:2 faz referência a coletas feitas no primeiro dia da semana para os pobres de Jerusalém. O texto na Almeida Revista e Atualizada fala para que o crente separe o dinheiro "EM CASA" e "VÁ AJUNTANDO". Não se tratava de culto nem de reunião alguma no primeiro dia da semana, pois a coleta a) não era feita na igreja, b) não era parte do culto nem se destinava à igreja local e c) era uma separação de dinheiro que cada um devia fazer em sua casa. Assim, quando Paulo viesse, cada um lhe entregaria o total da oferta que foi AJUNTANDO, isto é, separando e guardando ao longo da semana e que Paulo levaria ou mandaria para os crentes pobres de Jerusalém. Sobre a omissão de EM CASA no texto em outras versões bíblicas, vejamos o The Cambridge Bible For Schools and Colleges, publicado pela Cambridge University Press, declara, comentando este texto, que "não podemos inferir desta passagem que os cristãos se reuniam no primeiro dia da semana." E prossegue:
"'Cada um ponha de lado', isto é, em casa, no lar, não em reuniões como geralmente se supõe. Ele [Paulo] fala aqui de um costume que havia naquele tempo, de se colocar uma pequena caixa ao lado da cama, e dentro dela se depositavam as ofertas, depois de se fazer oração." – Parte "The First Epistle to the Corinthians", editado por J. J. Lias, pág. 164.
Os primeiros 6 textos sobre o domingo vistos no Novo Testamento mostram que não há qualquer mandamento claro ou ou indireto de Jesus ordenando guardar o domingo em honra à Sua ressurreição. O apóstolo Paulo escreveu muito sobre ela, sendo este um de seus temas favoritos ao pregar aos judeus e aos gentios. Mas os dois últimos textos vistos mostram que Paulo não via qualquer ligação entre a este evento e a guarda do domingo. Para comemorarmos a ressurreição de Jesus, o Novo Testamento ordena não a guarda do domingo, mas o batismo nas águas. Paulo ensina que, no simbolismo da imersão, somos sepultados na morte com Cristo e ressuscitamos com Ele para uma nova vida por meio do batismo (Rom. 6:3-5).